Clima

Primavera de baixa temperatura e possibilidade de seca

Estação que começa nesta quarta liga alerta da agricultura devido às alterações no comportamento das precipitações

Jô Folha -

Após um inverno de baixas temperaturas e fortes chuvas, oficialmente às 16h21min desta quarta-feira tem início a primavera. A estação das flores é marcada pelo aumento gradativo de temperaturas, que ficarão dentro da média histórica neste ano. As projeções meteorológicas também apontam uma mudança brusca quanto às precipitações na comparação com o final do inverno, com alerta para possível estiagem.

Embora oficialmente a primavera se estenda entre os meses de setembro a novembro, para a meteorologia a estação é iniciada no começo do mês de setembro. É o que explica Fernando Rafael, da Sigma. Segundo ele, existe uma diferença entre a estação climática, notada quando se tornam nítidas as mudanças de temperatura e no ambiente, e a primavera astronômica, iniciada hoje e que se baseia na posição dos astros. "Todos já devem ter observado que as plantas começam a florir no final do mês de agosto, ou início de setembro, não esperando até o dia 22. Este ano não foi diferente, conseguimos observar que as entradas mais fortes de frio pararam no início da segunda quinzena de agosto, então observamos que já vínhamos em ritmo de primavera".

Neste ano, as massas de ar frio seguirão ocorrendo nos primeiros dois meses de estação e devem se alternar com entradas de calor mais intensas, apesar de pontuais, entre o final de outubro e novembro, não sendo descartada a possibilidade de frio intenso tardio. Os prognósticos apontam que as temperaturas devem ficar na média da primavera ou ligeiramente acima (até +1°C). Em Pelotas, por exemplo, a média trimestral é de 17,5°C, já nas cidades de Canguçu, Piratini, Pinheiro Machado e Herval, caracterizados pelos pontos mais altos da região, a média é em torno de 15,5ºC.

Chance de estiagem

Uma das principais características do novo período climático é quanto à mudança no comportamento das chuvas. Apesar de não haver diferenças significativas nos totais pluviométricos em relação às demais estações, a chuva, que no inverno ocorre devido a passagem de frentes frias e sistemas de baixa pressão (clássicos ou cavados), agora passa a ter como motivo o aumento da atividade convectiva (chuva causada pelo calor). Por esse motivo, a frequência de tempestades aumenta na primavera.

Segundo o meteorologista, espera-se que, apesar da precipitação da média em setembro e início de outubro, o cenário venha a mudar, com possibilidade de redução no padrão entre a segunda quinzena de outubro e novembro. "O risco de estiagem para o final do ano não está descartado", alerta Rafael. Conforme as projeções, a tendência trimestral de chuva, que gira em torno de 300 a 400 milímetros, deverá ficar entre a normalidade ou até 25% abaixo da média.

Projeções preocupam produtores

Os meses de setembro e outubro são marcados pela frutificação do pêssego, importante na Zona Sul. O excesso de chuva, previsto para o início da primavera preocupa, segundo o extensionista rural da Emater/RS-Ascar de Pelotas, Rodrigo Prestes, uma vez que torna difícil o controle de doenças, principalmente criando condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças fúngicas. Em contrapartida, trata-se do mesmo período em que a fruta necessita de água, pois estará enchendo o fruto para a formação. O agrônomo lembra que a região está na etapa final do cultivo da fruta, com colheita marcada para novembro. Logo, um controle de chuvas na estação é primordial para ditar a qualidade e a quantidade desta.

Quanto ao cultivo de grãos, a segunda parte da estação aponta queda brusca nas precipitações e uma possível estiagem. "Em relação às projeções de uma estação seca a partir de novembro, pode preocupar pois é um período em que estamos com a implantação, principalmente nos grãos como soja e milho, e qualquer tipo de atraso pode prejudicar a produtividade", finaliza.

 

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